18 Abr 18

Design builds purpose

Design builds purpose

Uma empresa que centra o seu posicionamento na tecnologia – por mais vanguardista que seja – ou no know how técnico, está automaticamente condenada a ser mais uma na multidão. São eixos frágeis para garantir uma distinção e uma ligação – que não seja só por conveniência circunstancial – com o consumidor. São dois eixos que facilmente são equiparados ou até mesmo ultrapassados pela concorrência.

Os casos da operadora móvel Orange ou a Apple são paradigmáticos. A primeira não só é a operadora mais cara de inglaterra, como a que tem a média mais longa de espera para atendimento, e a segunda é a linha de aparelhos eletrónicos mais caros do mercado, sendo constantemente criticada por praticar preços tão distantes da concorrência. Contudo são as líderes de mercado nas respectivas áreas.

“Losers are the Twitter meets Facebook for chickens or whatever… It’s not meaningful.”
Ayah Bdeir, founder of littleBits.

Porque são, então, tão poderosas? Porque foram criadas para servir um propósito. E o design é a disciplina que define esse propósito. O design é onde se trabalha os intangíveis de uma marca, o elemento emocional e comunicacional de uma empresa ou produto. É com o design que nos relacionamos.

Na evolução dos tempos, dos mercados e dos consumidores, o design deixou de tratar de manifestações ocasionais, sejam elas visuais ou físicas. O design abriu o leque de atuação e começa a ser transversal tocando em todos os pontos de contato externo e interno de uma organização. Com o design as marcas deixam de ser anafalbetas e comunicam. Começam a ter postura, opinião. A serem amadas e odiadas. A fazerem a diferença.

A Coca Cola deixou de ser a melhor bebida gaseificada para ser uma manifestação de alegria. A Nike deixou de ser os produtos mais confortáveis e leves para praticar desporto para ser um símbolo de vitória.

O design acrescenta dimensão às empresas. It builds purpose.

Por isso é que numa abordagem holístico para um impacto global o design foi evoluindo em direção a uma definição mais abrangente que é o Branding, isto é, a ação contínua da marca. Isto porque começou a ser essencial integrar mais áreas e conhecimentos à abordagem, tais como o copy, o brand voice, o vídeo, as redes digitais ou a publicidade online e todos os outros que não param de ser necessários. Tudo isto é imenso mas a base, o ponto de partida, é a mesma que a minha, o design. No princípio, e na força, está sempre o design.

Design é o comportamento e propósito mas é também simplificação. O design clarifica e reforça, passa com clareza aquilo que uma marca defende e sistematiza a sua voz. Basta olhar para o antes e depois do Otl Aicher quando trabalhou a Lufthansa. A sua abordagem fez a mesma companhia parecer outra. Uma muito melhor.

Design interage com tudo. É holístico. É a força silenciosa.

É a principal valorização.

Se considerarmos que as marcas ou produtos são como pessoas – e são, já que temos trilhões de relações, humores e motivações com elas – podemos dizer que a tecnologia e know how são esqueleto e músculo, enquanto o design é a cabeça e coração. É o que nos distingue e nos diferencia. Somos aquilo que defendemos. É o propósito que faz de nós fixes. E tudo isto é design.

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